Ao olhar a cicatriz no espelho e notar uma pequena abertura ou um “buraquinho” na linha dos pontos, a primeira reação de quase toda paciente é o desespero.
Na medicina, chamamos isso de deiscência de sutura. Embora o nome técnico assuste, a realidade é que, na grande maioria dos casos, isso não significa que a sua cirurgia “deu errado”.
A deiscência é uma intercorrência relativamente comum na cirurgia plástica e, com o acompanhamento correto, é perfeitamente tratável, muitas vezes sem a necessidade de um novo procedimento cirúrgico.
Se isso aconteceu com você, respire fundo: este guia foi feito para te orientar sobre como proceder agora.
Até o final você terá aprendido:
- O que é a deiscência: entenda por que ela acontece
- Causas comuns: de esforço físico a fatores biológicos
- Como agir: o guia de primeiros passos (e o que jamais fazer)
- Tratamento: como a ferida fecha naturalmente (“segunda intenção”)
- Prevenção: como evitar que isso aconteça ou evolua
Boa leitura!
O que é a deiscência e por que ela acontece?
A deiscência ocorre quando as bordas da pele, que foram unidas por fios de sutura, se separam.
A pele é um órgão vivo e a cicatrização é um processo dinâmico. Quando a força de tração na ferida supera a força do tecido em se manter unido, a separação acontece.
Para visualizar melhor, pense na pele como um tecido elástico, como um elástico de roupa que está sendo puxado para manter as bordas de uma incisão fechadas.
A força de tração é justamente essa tensão constante que a pele exerce tentando voltar ao seu lugar original.
Quando você faz uma abdominoplastia e estica o abdômen para remover a pele flácida, essa pele fica sob uma tensão natural.
Se, logo nos primeiros dias, você fizer um movimento brusco — como tentar se levantar da cama usando apenas a força do abdômen ou carregar uma sacola pesada —, essa tensão aumenta bruscamente, ultrapassando o limite de resistência dos fios de sutura.
É nesse momento de “puxão” que o tecido acaba cedendo, o que pode resultar na abertura do ponto.
É importante entender que o cirurgião fecha a pele com técnica, mas é o seu organismo que precisa “segurar” esse fechamento nas semanas seguintes. Se algo interfere nessa união biológica, o ponto pode ceder.
Principais causas da deiscência: por que os pontos não resistiram?
Na maioria das vezes a abertura não acontece por uma falha médica, mas por fatores que desafiam a integridade da pele no pós-operatório:
- Tensão excessiva na borda: se a pele foi muito esticada para remover o excesso (como em uma abdominoplastia), a tensão sobre o fio é constante.
- Esforço físico precoce: agachar-se, pegar peso ou fazer movimentos bruscos nos primeiros dias coloca uma carga mecânica sobre os pontos que eles não foram projetados para suportar.
- Má nutrição: a pele precisa de proteína (colágeno) para se manter unida. Pacientes com dietas muito restritivas têm maior risco de deiscência.
- Tabagismo: o cigarro diminui drasticamente a oxigenação da pele, o que “mata” as células da borda da ferida, fazendo com que elas se soltem.
- Atrito da cinta: malhas muito apertadas ou costuras da cinta sobre a cicatriz podem causar maceração ou trauma local.
Meus pontos abriram. O que devo fazer?
O primeiro passo é manter a calma e evitar pesquisar o que pode acontecer no Google ou perguntando para inteligências artificiais.
Apesar de ótimas ferramentas, os buscadores e as IAs oferecem resultados genéricos, sem considerar todas as variáveis de cada quadro cirúrgico. Então siga as orientações abaixo.
O que fazer imediatamente caso seus pontos abram:
- Mantenha a calma: o estresse aumenta a pressão arterial, o que não ajuda em nada a cicatrização.
- Entre em contato com a Clínica Realize: envie uma foto clara para nossa equipe. Nós avaliaremos se é apenas uma abertura superficial ou algo que exige avaliação presencial urgente.
- Mantenha a área limpa: use apenas o que foi prescrito na sua alta. Geralmente, soro fisiológico e gaze estéril são suficientes para proteger a área.
- Proteja: mantenha a região coberta com uma gaze limpa para evitar que a roupa ou a cinta atritem diretamente no buraquinho.
O que NÃO fazer jamais:
- Não passe pomadas por conta própria: muitas pomadas abafam a ferida e podem causar infecção.
- Não tente “fechar” com esparadrapo: isso pode causar um abcesso abaixo da pele.
- Não entre em pânico com o Dr. Google: cada caso é único. O que você lê em fóruns pode não ter nada a ver com o seu caso clínico.
Tratamento: como a ferida fecha?
Na maioria das deiscências de cirurgia plástica, o médico opta pela cicatrização por segunda intenção.
Isso significa que o próprio corpo, com o auxílio de curativos especiais, vai preencher esse “buraco” de dentro para fora.
Pode parecer que vai ficar um buraco eterno, mas o organismo é brilhante em se regenerar.
Com a limpeza correta, o tecido novo (granulação) começará a aparecer e a ferida fechará naturalmente.
O resultado estético final raramente é prejudicado, pois o médico pode refazer essa pequena linha de cicatriz em um retoque ambulatorial simples após o período de maturação total (12 meses).
O que acontece se a ferida for grande ou não fechar?
Embora a cicatrização natural resolva grande parte dos casos, existem situações onde o corpo precisa de uma ajuda extra:
Limpeza e desbridamento: em alguns casos, pode ser necessário remover pequenas áreas de tecido que ficaram sem irrigação (necrose). Isso é feito no consultório com anestesia local e é um procedimento rápido para “limpar o terreno” e permitir que a pele saudável se una novamente.
Uso de tecnologias e terapias adjuvantes: podemos utilizar coberturas especiais, fitas de tração (que ajudam a aproximar as bordas sem precisar de novos pontos internos) ou até laser de baixa intensidade para estimular a regeneração celular.
Retoque cirúrgico: se a abertura for extensa ou se, após o fechamento natural, a cicatriz ficar larga, com aspecto inestético ou irregular, o cirurgião pode optar por um retoque cirúrgico.
Mas atenção: o retoque nunca é feito enquanto a pele ainda está inflamada ou com o processo de cicatrização ativo.
O médico aguardará o período completo de maturação (geralmente de 6 a 12 meses) para realizar uma pequena cirurgia ambulatorial, onde ele remove a cicatriz antiga e refaz o fechamento com precisão, garantindo um resultado final harmonioso.
O ponto principal: a deiscência é uma maratona, não um sprint. O tratamento muitas vezes exige paciência para esperar o tecido cicatrizar completamente antes de qualquer intervenção definitiva.
O foco imediato é a saúde da pele; o foco no resultado estético final é um passo posterior.
FAQ: perguntas frequentes sobre a deiscência cirúrgica
1. A abertura dos pontos significa que a minha cirurgia deu errado? De forma alguma. É uma intercorrência biológica, não um erro de cirurgia. É como um machucado que abre porque você moveu muito a pele. O resultado final da sua cirurgia permanece preservado.
2. Precisa de anestesia para fechar o ponto de novo? Na maioria dos casos, não se fecha o ponto de novo com agulha e linha, pois isso pode prender bactérias lá dentro. Deixamos a ferida aberta para fechar de dentro para fora com curativos. Se, após meses, a cicatriz ficar mais larga, podemos fazer um retoque simples sob anestesia local.
3. Como saber se a abertura está infeccionada? Sinais de perigo: febre, pus com odor forte, a área ao redor da ferida muito quente, inchaço que cresce rapidamente ou a pele ficando com uma cor acinzentada. Nesses casos, entre em contato imediatamente.
Você não está sozinha
A deiscência é uma etapa do pós-operatório que exige paciência, mas não é o fim do seu resultado.
Na Clínica Realize, nosso papel é justamente esse: acompanhar você nos momentos de dúvida e garantir que a sua jornada até o resultado final seja segura, mesmo quando o caminho apresenta pequenos desafios.
Notou algo diferente na sua cicatriz? Não espere a dúvida crescer. Fale com a nossa equipe agora mesmo.







